Temas e aspectos formais de que eu mais gosto em literatura

Meu primeiro artigo no blog é, geralmente, contando sobre a plataforma que eu uso para construí-lo. Eu tinha feito um esquema legal pelo Ghost que incluía uma newsletter, mas o servidor parou de funcionar e eu tive que migrar para o que eu estou agora, o Publii. Mas talvez eu retorne à ideia da newsletter no futuro.

Mas o artigo não é sobre isso: é sobre temas que eu mais gosto na literautra. Ele foi, na verdade, escrito em novembro de 2020, e extraído de outro blog meu. Segue:

Acho que foi domingo passado [08/11/2020], eu estava conversando com uma amiga sobre minha insegurança em relação à minha escrita e como eu achava que nunca ia chegar aos pés de determinado autor do meu meio e que minha escrita era melhor seis anos atrás, antes de um certo acontecimento, já que eu sinto que hoje eu não toco ninguém com o que eu escrevo.

Ela me deu uma bronca, dizendo que isso não era verdade, que eu estava muito habituada aos tear-jerkers que eu escrevia na adolescência, que só eu acho que eu escrevia melhor antes, e que, tudo bem, aquele tal conto que ela me mostrou um tempo atrás era muito bom, mas que eu tinha contos bons também.

Eu mereci a bronca.

Depois disso, ela me deu uma lição de casa: fazer uma lista com 10 temas e 10 aspectos formais que me agradam em literatura, ou então listar autores que eu acho inovadores. Eu fiz mais de 10 de cada e não listei os autores porque eu acho que tenho pouquíssimo repertório (ninguém mandou só ler Dostoiévski a vida inteira), mas seguem as listas — que não estão comentadas porque isso é só masturbação literária mesmo.

Temas

  • Relacionamentos fora do convencional;
  • Tabus e questionamentos de convenções sociais;
  • O sujeito percebido pelo Outro e por si e o contraste entre os dois;
  • Odisseu no mundo moderno;
  • Desconstrução de repressão feminina;
  • Realismo fantástico que não seja tosco;
  • Pessoa versus indivíduo versus sujeito;
  • Amor finito;
  • Os vários tipos de tempo;
  • Personagens com mais de 30 anos / “maturidade”;
  • Temas sexuais, não limitado a cenas eróticas;
  • Temas LGBTQ, exceto quando envolve adolescência;
  • Violência como escape (como em “Clube da Luta”).

Eu poderia adicionar “marginalidade”, mas acho que meus próprios escritos me saturaram desse tema.

Aspectos Formais

  • Fluxo de consciência;
  • Prosa poética;
  • Não-linearidade;
  • Subversão de aspectos formais, como capítulos “inúteis” ou curtos, ou capítulos que não são estruturados de maneira tradicional em romances;
  • Personagens complexas que permitem furos no enredo por serem complexas;
  • Cenário que espelha ou ironiza o personagem, mas não necessariamente de um jeito naturalista;
  • Conversas com outras formas de arte;
  • Parágrafos longos, pois são imersivos;
  • Polifonia num narrador único;
  • Múltiplos pontos de vista ou narrador onisciente trabalhados de jeito harmônico;
  • Coisas que me evocam sinestesia: narrativas que parecem cinzentas/chuvosas (Thomas Mann) ou neon (Bret Easton Ellis), por exemplo;
  • Ausência de trama bem-definida (romance psicológico);
  • “Minimalismo”: diálogos ou ações sem descrições de pensamentos ou emoções;
  • Descrições detalhadas de pensamentos e emoções.

Eu tenho a ideia de tentar explorar cada um desses temas e aspectos em textos meus como experimentos. Vamos ver se acontece.